Política
Interna
O coronel Muammar Khadafi participou ativamente das questões de
interesse árabe.
Em 1966, Muammar al-Khaddafi, filho de beduínos nômades, que havia
se incorporado ao exército, enquanto estudava em Londres, fundou a
União dos Oficiais Livres, e, após o retorno à sua terra natal,
continuou o trabalho de conspiração política dentro do exército, e,
em 01 de setembro de 1969, teve início em Sabha uma insurreição que
derrubou a monarquia rapidamente sem derramamento de sangue.
Os "oficiais livres" eram um grupo de oficiais radicais islâmicos,
que após a tomada do poder em um golpe de Estado, criaram um
governo militarizado exercido por meio do Conselho da Revolução que
era presidido pelo coronel Muammar al-Khadafi, então com 27 anos de
idade, proclamou-se islâmico, nasserista e socialista, encerrou as
bases militares norte-americanas e britânicas, e impôs severos
controles sobre a atividade de empresas transnacionais petrolíferas
instaladas na década de 60[1] [2].
O regime de Muammar Khadafi, chefe de Estado a partir de 1970,
decretou a nacionalização das empresas, dos bancos e dos recursos
petrolíferos do país. A exploração das riquezas do petróleo deu
meios ao governo líbio para melhorar as condições de vida da
população do país, ainda que a custo de alianças empresariais
sombrias e de privilégios para a família do líder nacional
[3].
Khaddafi lançou um projeto ambicioso de desenvolvimento, com ênfase
na agricultura. Cada família rural recebeu aproximadamente dez
hectares de terra, um trator, habitação, ferramentas e irrigação.
Foram perfurados mais de 1.500 poços artesianos e 2 milhões de
hectares do deserto começaram a receber irrigação artificial.
Devido ao rápido crescimento, a Líbia recebeu imigrantes de outros
países árabes e trabalhadores qualificados de todo o mundo. Nas
cidades, Khaddafi criou um sistema de previdência social,
assistência médica gratuita e incentivos às famílias numerosas. Os
trabalhadores da indústria tiveram direito à participação de 25%
nos lucros das empresas. A Líbia, em cinco anos, deixou de ser o
país mais pobre do norte da África e passou a ter a maior renda per
capita do continente: US$ 4 000 por ano.
Em 1973, Kadhafi publica o Livro Verde no qual expõe os ideias
éticas e políticas, que rejeitam o capitalismo e o marxismo e criou
uma peculiar estrutura de participação popular na política por meio
de comitês populares e do Congresso Geral do Povo.
Em 1977, a Líbia passou a se chamar Jamahiriya Árabe Popular e
Socialista ("Jamahiriya" é um neologismo que significa Estado das
Massas)[1] [2].
Em 1989 teve início uma liberalização econômica[4].
Em 1996 foi inaugurada uma etapa de um grande rede de aquedutos
projetada para fornecer água para populações isoladas no
deserto[1]. No mesmo ano ocorre o Massacre da Prisão de Abu Salim,
evento repudiado pelas organizações defensoras de direitos humanos
como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch.
O regime líbio tem enfrentado uma crescente resistência de parte de
grupos religiosos islâmicos, e em 1997 seis oficiais do exército
foram fuzilados, acusados de espionagem.
Em 2000, foi decretada uma radicalização da política de
descentralização do Estado, posta em prática no início da década de
1990.
Em janeiro de 2005, após quatro décadas, ocorreu o primeiro leilão
de licenças de exploração de gás e petróleo, as maiores
beneficiárias foram as empresas americanas, que retornaram ao país
após mais de 20 anos, em outubro do mesmo ano, ocorreu um novo
leilão, no qual as maiores arrematantes foram empresas asiáticas e
europeias.
Em fevereiro de 2006, as manifestações contra as caricaturas que
satirizavam o profeta Maomé publicadas em um jornal dinamarquês
resultaram em atos de violência que foram objeto de severa
repressão policial, com um saldo de pelo menos 10 mortos.
Em 2007, o governo anunciou que em poucos anos, dispensaria mais de
400 000 funcionários públicos e do exército, mas, em contrapartida,
se comprometeu a pagar três anos de salários como forma de
compensação. Na época a Líbia tinha mais de um milhão de
funcionários públicos, o que exigia mais de 3,5 bilhões de dólares
por ano em salários. O objetivo da medida era aliviar o fardo sobre
o estado e incentivar o investimento do setor privado.[1].
[editar]Política Externa
Os resultados amplamente positivos no campo interno, não ocorrem na
política externa. Fracassam tentativas de integração com a Síria,
com o Egito e com a Tunísia.
Em 1972, a Líbia e o Egito uniram-se numa Confederação de
Repúblicas Árabes, que se dissolveu em 1979.
A partir de 1983, a Líbia tentou uma aproximação com o Marrocos,
que culminou com a assinatura de um tratado em 1984, que previa uma
união formal, tendo sido o tratado extinto em 1986.
Khaddafi se opôs à política de reconciliação entre o Egito e
Israel, o teve atritos com a monarquia da Arábia Saudita, os
Emirados Árabes Unidos e do Marrocos[1] [2].
Khadafi, procurando desencadear uma revolução cultural, social e
econômica, lançou, em 1973, a revolução cultural islâmica, que
provocou graves tensões políticas com os Estados Unidos, Reino
Unido e países árabes moderados, com o Egito e o Sudão.
Apoiado pelo partido único, a União Socialista Árabe, aproveitou-se
da riqueza gerada pela exploração das grandes reservas de petróleo
do país para construir seu poderio militar e interferir nos
assuntos dos países vizinhos, como o Sudão e o Chade (Tchad), este
último invadido pela Líbia em 1980.
A partir de 1980, a diplomacia líbia voltou-se para a África e para
América Latina, apoiou a guerrilha que lutava pela independência do
Saara Ocidental em relação ao Marrocos (Frente Polisário) e
participou diretamente na guerra civil no Chade, em defesa do
Governo Transitório de União Nacional (GUNT), dirigido por Goukouni
Oueddei[1] [2].
No final da década de 1980 o chefe líbio dispôs-se a melhorar o
relacionamento com as nações vizinhas. Em 1988, restabeleceu
relações diplomáticas com o Tchad. Em 1989, a Líbia associou-se à
União do Magrebe Árabe, um acordo comercial dos países do Magrebe,
no norte da África.
Em 1993 a Líbia rompeu relações com o Irã, reagindo contra o
crescimento do fundamentalismo islâmico.
Em 1994, os líbios retiram-se da Faixa de Aozu (Chade), que
ocupavam desde 1973, em cumprimento de uma decisão da Corte
Internacional de Justiça em Haia, apesar do descontentamento da
população na região meridional de Fezzan[4].
As relações de Khadafi com os palestinos se deterioraram, à medida
que estes se mostraram dispostos a negociar uma paz com Israel, e
em setembro de 1995, o dirigente líbio anunciou a expulsão de 30
mil palestinos que trabalhavam na Líbia. A medida foi suspensa
depois da deportação de 1.500 pessoas, e em outubro de 1996 Khadafi
anunciou que estas seriam indenizadas.
Em setembro de 1999, mais de 20 líderes de países árabes e
africanos. entre eles os presidentes da África do Sul, Palestina,
Argélia e Zâmbia, compareceram à Trípoli para o trigésimo
aniversário da revolução.
Em dezembro de 1999, o Reino Unido enviou um novo embaixador à
Trípoli, após 15 anos de ruptura diplomática.
A Líbia aproveitou a virada para lançar uma ofensiva diplomática na
região, oferecendo-se como mediador no conflito no Sudão e retomar
o diálogo com o Chade.
Em março de 2000, os EUA enviaram uma delegação para estudar o
levantamento as restrições a investimentos e a viagens para a
Líbia, que existiam desde desde 1981.
Em abril de 2002, seis enfermeiras búlgaras e um palestino foram
acusados de terem infectado deliberadamente 400
crianças com AIDS em 1999 como parte de uma conspiração da CIA
contra a Líbia, os acusados relataram que haviam confessado sob
tortura. Em dezembro de 2005, a Suprema Corte líbia cancelou a pena
de morte decretada contra aqueles acusados, levando a realização de
um novo julgamento.
Em março de 2004, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, chegou
ao país, na primeira visita deste tipo desde 1943.
Em maio de 2006, o ministro das Relações Exteriores da Líbia, Abdel
Rahman Shalgham, declarou que a normalização das relações com os
EUA serviria os interesses bilaterais e também para a estabilidade
política internacional.